Thursday, August 24, 2006

Carta aberta ao Excelêntssimo Senhor Procurador Geral da Republica Portuguesa, o Exmº Sr. Doutor Souto Moura

Ao cuidado do: Excelêntssimo Senhor Procurador Geral da Republica Portuguesa, o Exmº Sr. Doutor Souto Moura

Assunto: Desumanização, maus tratos e mau funcionamento da Casa de Santo Amaro, em LagosExcelência,Esta carta aberta visa denunciar uma situação de negligência e maus tratos que se arrasta há já vários anos, e que de má está a passar a péssima, tornando-se cada vez pior.

É, então, dirigindo-me aoExcelêntssimo Senhor Procurador Geral da Republica Portuguesa, o Exmº Sr. Doutor Souto Moura que com a presente, denuncio a situação catastrófica em que funciona a Casa de Santo Amaro de Lagos (lar para deficientes motores), e apelo a vossa Excelência para a necessidade urgente da toma de medidas emediatas e eficazes com vista a minimizar o terrivel sofrimento daquelas pobres criaturas que vivem debaixo daquele tenebroso regime.

Esta "casa" começou a funcionar em 1999, e desde a sua entrada em funcionamento até agora, sempre funcionou pessimamente mal.

Os seus utentes vivem debaixo de um regime de terror ditatorial, chegam a ser roubados e maltratados, falamos de maus tratos diárioa, salvo raras excepções. É claro que nem todas as funcionárias os maltratam, mas uma grande parte fazen-no, isto com o conhecimento e a conivência do Senhor Carreiro, presidente da Direcção do CASLAS (Centro de Assistência Social Lucinda Anino dos Santos).

Quando os utentes se insurgem contra o sistema instituido, sofrem punições dos mais variados tipos, como por exemplo serem deixados na cama até que o pessoal se apeteça a os ir levantar, são-lhes retiradas as cadeiras, por ordem do sr. Carreiro. o presidente da direcção do CASLAS, “cavalheiro” este que tem por hábito dizer aos utentes:“quem manda aqui sou eu... quem não gosta do funcionamento da instituição (Casa de Santo Amaro), vai para casa... e ponto final.

È necessário salientar e não esquecer que as pessoas que alí residem são deficientes motores com elevado/total grau de dependência, com valores mínimos de pensão de subsistência com uma média de idades rondando os quarenta anos de média de idades, sem familia/de familias necessitadas que não podem suportar tais encargos.

Dado o quadro negro que é a situação destas pobres criaturas (utentes/ residentes da Casa de Santo Amaro), não lhes resta outra alternativa senão suportar os maus tartos que lhes são inflingidos.

Desde há cerca de dois, ou três anos, esta "casa" está a ser gerida por um director “sombra”, o Sr. Eurico Correia que assume o cargo de responsável pelo aprovisionamento, cozinha e transportes; mas na prática, tem um taxo garantido, assume o cargo de director sombra, em teoria, responsável por aprovisionamento e transportes, mas na práctica director sombra.Desde que este cavalheiro começou a exercer funções, a situação e condições de vida dos seus residentes, até então precária, tornou-se cada vez pior, tendo passado de péssima a lastimável.

Vejamos:

Ø Os utentes só têm deveres, não têm direitos:

Ø Se porventura reclamam, se, se queixam à Direcção porque alguma das funcionárias os maltratou, ainda acabam sendo penalizados por esta mesma Direcção ( CASLAS, a saber, , sendo ameaçados de serem enviados para casa, onde não terão a minima qualidade de vida, dado os tipos de deficiência fisca, e dependência daí advindas.

Ø Os utentes são colocados de castigo. Castigos esses, por ordem do sr. Carreiro, em que lhes são retiradas as cadeiras com que se deslocam (cortam-lhes as pernas), sendo este procedimento muito grave, sendo deixados na cama, muitas vezes sem alimentação sem higiéne, ficando com fraldas por mudar, etc...

Ø Numa disputa, contenda entre um utente e uma funcionária, é sempre a funcionária quem tem razão, aliás, elas fazem o que querem e entendem, os utentes têm de lhes obedecer, sob pena de elas chamarem o sr. Carreiro e de depois, este os penalizar. Então, as sr.ªs “ajudantes de lar”, escrevem as mentiras que entendem e os utentes acabam sempre duplamente lesados.

Ø A liberdade destas ajudantes de lar é de tal ordem que é comum dizerem ao(s) utente(s): “... tás mal vái para casa.”o Importa não esquecer que nenhum dos utentes lá se encotra (na Casa de Santo Amaro) por vontade própria, mas sim por necessidade, e por ser vitima das circuntâncias;

Ø Em relação aos utentes, as funcionárias só têm direitos;

Ø A alimentação é precária, existe uma ementa em que figuram dois pratos, um prato principal e um prato de dieta, mas é só para inglês ver...

Ø Diáriamente, há falta de toalhas e de lençois, apesar de na lavandaria existirem em stock, e para estrear;

Ø A limpeza dos quartos é precária;

Ø Os caixotes do lixo, passam meses e meses sem serem lavados, os sacos do lixo só são retirados quando estão a abarrotar, dando-se o caso de permanecerem dois dias a fermentar dentro desses mesmos caixotes;

Ø Há um total desrespeito pelos utentes, o que inclui maus tratos verbais, fisicos e psiquicos;

Ø Os utentes nada podem fazer, não podem reclamar porque são penalizados.

Ø Existe um enfermeiro a fazer quatro horas por dia e que apenas tem como função preparar a medicação, e a maior parte das vezes troca-a. Se for necessário fazer pensos, dar uma injecção, ou qualquer outro tipo tratamento, as pessoas têm que se dirigir ao Centro de Saúde, quer chova quer faça sol, situação que pode ser perfeitamente comprovada pelos profissionais daquela unidade de saúde.

Ø Impera um regime totalmente ditatorial, com total desrespeito pela condição humana dos utentes. É o come e cala.Ø A correspondência dos utentes é violada.

Ø Já foram feitas várias inspecções , mas estes cavalheiros sempre manipularam o sistema, e fazem tudo a seu belo prazer como no tempo do fachismo.

Ø A URP (Unidade de Reabilitação profissional), funciona de uma forma totalmente desorganizada, facto este que já levou à saída de muitos dos professores, os utentes esperam aprender algo, e esperam colocação pós o tempo de formação, só que na realidade, “andam a bater sola”, e quando acabam os quatro anos, constactam amargamente que tudo não passou de uma ilusão, pois a maioria destes não lhe foram administrados conhecimentos, e como é óbvio, depois não têm colocação no mercado de trabalho.

Há o caso do Nelson que teve que abandoná-la, visto ter corto um dedo e para além de não o terem colocado no seguro, ainda o colocaram a desempenhar funções que este não podia desempenhar devido ás sequelas resultantes. Isto ocorreu há uns meses, e o Nelson ficou com sequelas que o impedem de usar a mão correctamente.

Como é que isto acontece num Estado de Direito?

Quero, hoje, aqui, salientar que no mau funcionamento desta Casa figura a infidelidade constante aos valores éticos, cívicos e republicanos da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, os quais foram consagrados na Declaração Universal dos Direitos do Homem. da qual a nossa nação é signatária, e, que tão árduamente foram coquistados pelos bravos de abril.

É tempo de dizer basta. É tempo de mudança. É tempo de retomarmos as rédeas da Democracia e de olharmos por estas pessoas que já se encontra severamente limitadas, e importa não esquecer que o que lhes sucedeu, também pode sucer a qualquer um de nós.

Por outro lado, urge não esquecer que estes cavalheiros que se apresentam como mecenas, benfeitores, defensores e construtores da casa (a nossa Nação), são precisamente o contrário, e apenas lhes interessa o bem estar próprio, a exemplo do que durante anos e anos se passou na Casa Pia e em muitas outras instituições deste País, quem sofre são precisamente aqueles que por ironia do destino, perderam as suas capacidades de defesa.

Importa salientar que que Portugal é uma RÉPUBLICA DEMOCRÁTICA E SOBERANA, que faz parte de uma UNIÃO EUROPEIA, e que é signatária da CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS, e cuja CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA se encontra em conformidade.com os tratados destas da qual o NOSSA NAÇÃ é signatária, sendo a CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA bem clara quanto à defeza deste tipo de casos, e estas pessoas estão protegidas pelos seus artigos:

Princípios fundamentais
Artigo 1.º (República Portuguesa)Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.(Estado de direito democrático)A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

Artigo 7.º(Relações internacionais)1. Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade.2. Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.3. Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão.5. Portugal empenha-se no reforço da identidade europeia e no fortalecimento da acção dos Estados europeus a favor da democracia, da paz, do progresso económico e da justiça nas relações entre os povos.6. Portugal pode, em condições de reciprocidade, com respeito pelos princípios fundamentais do Estado de direito democrático e pelo princípio da subsidiariedade e tendo em vista a realização da coesão económica, social e territorial, de um espaço de liberdade, segurança e justiça e a definição e execução de uma política externa, de segurança e de defesa comuns, convencionar o exercício, em comum, em cooperação ou pelas instituições da União, dos poderes necessários à construção e aprofundamento da união europeia.7. Portugal pode, tendo em vista a realização de uma justiça internacional que promova o respeito pelos direitos da pessoa humana e dos povos, aceitar a jurisdição do Tribunal Penal Internacional, nas condições de complementaridade e demais termos estabelecidos no Estatuto de Roma.

Artigo 8.º(Direito internacional)1. As normas e os princípios de direito internacional geral ou comum fazem parte integrante do direito português.2. As normas constantes de convenções internacionais regularmente ratificadas ou aprovadas vigoram na ordem interna após a sua publicação oficial e enquanto vincularem internacionalmente o Estado Português.3. As normas emanadas dos órgãos competentes das organizações internacionais de que Portugal seja parte vigoram directamente na ordem interna, desde que tal se encontre estabelecido nos respectivos tratados constitutivos.4. As disposições dos tratados que regem a União Europeia e as normas emanadas das suas instituições, no exercício das respectivas competências, são aplicáveis na ordem interna, nos termos definidos pelo direito da União, com respeito pelos princípios fundamentais do Estado de direito democrático.

Artigo 9.º(Tarefas fundamentais do Estado)São tarefas fundamentais do Estado:a) Garantir a independência nacional e criar as condições políticas, económicas, sociais e culturais que a promovam;b) Garantir os direitos e liberdades fundamentais e o respeito pelos princípios do Estado de direito democrático;c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais;d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais;f) Assegurar o ensino e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão internacional da língua portuguesa;g) Promover o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional, tendo em conta, designadamente, o carácter ultraperiférico dos arquipélagos dos Açores e da Madeira;h) Promover a igualdade entre homens e mulheres.

PARTE IDireitos e deveres fundamentais

TÍTULO IPrincípios gerais

Artigo 12.º(Princípio da universalidade)1. Todos os cidadãos gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição.2. As pessoas colectivas gozam dos direitos e estão sujeitas aos deveres compatíveis com a sua natureza.

Artigo 13.º(Princípio da igualdade)1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.Artigo 16.º(Âmbito e sentido dos direitos fundamentais)1. Os direitos fundamentais consagrados na Constituição não excluem quaisquer outros constantes das leis e das regras aplicáveis de direito internacional.2. Os preceitos constitucionais e legais relativos aos direitos fundamentais devem ser interpretados e integrados de harmonia com a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Artigo 17.º(Regime dos direitos, liberdades e garantias)O regime dos direitos, liberdades e garantias aplica-se aos enunciados no título II e aos direitos fundamentais de natureza análoga.

Artigo 18.º(Força jurídica)1. Os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias são directamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas.2. A lei só pode restringir os direitos, liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição, devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos.3. As leis restritivas de direitos, liberdades e garantias têm de revestir carácter geral e abstracto e não podem ter efeito retroactivo nem diminuir a extensão e o alcance do conteúdo essencial dos preceitos constitucionais.Artigo 19.º(Suspensão do exercício de direitos)1. Os órgãos de soberania não podem, conjunta ou separadamente, suspender o exercício dos direitos, liberdades e garantias, salvo em caso de estado de sítio ou de estado de emergência, declarados na forma prevista na Constituição.2. O estado de sítio ou o estado de emergência só podem ser declarados, no todo ou em parte do território nacional, nos casos de agressão efectiva ou iminente por forças estrangeiras, de grave ameaça ou perturbação da ordem constitucional democrática ou de calamidade pública.3. O estado de emergência é declarado quando os pressupostos referidos no número anterior se revistam de menor gravidade e apenas pode determinar a suspensão de alguns dos direitos, liberdades e garantias susceptíveis de serem suspensos.4. A opção pelo estado de sítio ou pelo estado de emergência, bem como as respectivas declaração e execução, devem respeitar o princípio da proporcionalidade e limitar-se, nomeadamente quanto às suas extensão e duração e aos meios utilizados, ao estritamente necessário ao pronto restabelecimento da normalidade constitucional.5. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência é adequadamente fundamentada e contém a especificação dos direitos, liberdades e garantias cujo exercício fica suspenso, não podendo o estado declarado ter duração superior a quinze dias, ou à duração fixada por lei quando em consequência de declaração de guerra, sem prejuízo de eventuais renovações, com salvaguarda dos mesmos limites.6. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência em nenhum caso pode afectar os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade civil e à cidadania, a não retroactividade da lei criminal, o direito de defesa dos arguidos e a liberdade de consciência e de religião.7. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência só pode alterar a normalidade constitucional nos termos previstos na Constituição e na lei, não podendo nomeadamente afectar a aplicação das regras constitucionais relativas à competência e ao funcionamento dos órgãos de soberania e de governo próprio das regiões autónomas ou os direitos e imunidades dos respectivos titulares.8. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência confere às autoridades competência para tomarem as providências necessárias e adequadas ao pronto restabelecimento da normalidade constitucional.
(como é mostrado acima, nos nºs 6 e 7 do art. 19, nem sequer em caso de estado de sítio, o Estado pode limitar os direito liberdades egarantias dos cidadãos, quanto mais uma associação, em estado de paz)

Artigo 20.º(Acesso ao direito e tutela jurisdicional efectiva)1. A todos é assegurado o acesso ao direito e aos tribunais para defesa dos seus direitos e interesses legalmente protegidos, não podendo a justiça ser denegada por insuficiência de meios económicos.2. Todos têm direito, nos termos da lei, à informação e consulta jurídicas, ao patrocínio judiciário e a fazer-se acompanhar por advogado perante qualquer autoridade.3. A lei define e assegura a adequada protecção do segredo de justiça.4. Todos têm direito a que uma causa em que intervenham seja objecto de decisão em prazo razoável e mediante processo equitativo.5. Para defesa dos direitos, liberdades e garantias pessoais, a lei assegura aos cidadãos procedimentos judiciais caracterizados pela celeridade e prioridade, de modo a obter tutela efectiva e em tempo útil contra ameaças ou violações desses direitos.

Artigo 21.º(Direito de resistência)Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

Artigo 22.º(Responsabilidade das entidades públicas)O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem.

TÍTULO IIDireitos, liberdades e garantias

CAPÍTULO IDireitos, liberdades e garantias pessoais

Artigo 24.º(Direito à vida)1. A vida humana é inviolável.

Artigo 25.º(Direito à integridade pessoal)1. A integridade moral e física das pessoas é inviolável.2. Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos.

Artigo 26.º(Outros direitos pessoais)1. A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.2. A lei estabelecerá garantias efectivas contra a obtenção e utilização abusivas, ou contrárias à dignidade humana, de informações relativas às pessoas e famílias.3. A lei garantirá a dignidade pessoal e a identidade genética do ser humano, nomeadamente na criação, desenvolvimento e utilização das tecnologias e na experimentação científica.4. A privação da cidadania e as restrições à capacidade civil só podem efectuar-se nos casos e termos previstos na lei, não podendo ter como fundamento motivos políticos.

Artigo 27.º(Direito à liberdade e à segurança)1. Todos têm direito à liberdade e à segurança.2. Ninguém pode ser total ou parcialmente privado da liberdade, a não ser em consequência de sentença judicial condenatória pela prática de acto punido por lei com pena de prisão ou de aplicação judicial de medida de segurança.3. Exceptua-se deste princípio a privação da liberdade, pelo tempo e nas condições que a lei determinar, nos casos seguintes:a) Detenção em flagrante delito;b) Detenção ou prisão preventiva por fortes indícios de prática de crime doloso a que corresponda pena de prisão cujo limite máximo seja superior a três anos;c) Prisão, detenção ou outra medida coactiva sujeita a controlo judicial, de pessoa que tenha penetrado ou permaneça irregularmente no território nacional ou contra a qual esteja em curso processo de extradição ou de expulsão;d) Prisão disciplinar imposta a militares, com garantia de recurso para o tribunal competente;e) Sujeição de um menor a medidas de protecção, assistência ou educação em estabelecimento adequado, decretadas pelo tribunal judicial competente;f) Detenção por decisão judicial em virtude de desobediência a decisão tomada por um tribunal ou para assegurar a comparência perante autoridade judiciária competente;g) Detenção de suspeitos, para efeitos de identificação, nos casos e pelo tempo estritamente necessários;h) Internamento de portador de anomalia psíquica em estabelecimento terapêutico adequado, decretado ou confirmado por autoridade judicial competente.4. Toda a pessoa privada da liberdade deve ser informada imediatamente e de forma compreensível das razões da sua prisão ou detenção e dos seus direitos.5. A privação da liberdade contra o disposto na Constituição e na lei constitui o Estado no dever de indemnizar o lesado nos termos que a lei estabelecer.

Artigo 34.º(Inviolabilidade do domicílio e da correspondência)1. O domicílio e o sigilo da correspondência e dos outros meios de comunicação privada são invioláveis.Artigo 37.º(Liberdade de expressão e informação)1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.3. As infracções cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respectivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei.4. A todas as pessoas, singulares ou colectivas, é assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de rectificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos.

Artigo 45.º(Direito de reunião e de manifestação)1. Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização.2. A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação.Artigo 52.º(Direito de petição e direito de acção popular)1. Todos os cidadãos têm o direito de apresentar, individual ou colectivamente, aos órgãos de soberania, aos órgãos de governo próprio das regiões autónomas ou a quaisquer autoridades petições, representações, reclamações ou queixas para defesa dos seus direitos, da Constituição, das leis ou do interesse geral e, bem assim, o direito de serem informados, em prazo razoável, sobre o resultado da respectiva apreciação.2. A lei fixa as condições em que as petições apresentadas colectivamente à Assembleia da República e às Assembleias Legislativas das regiões autónomas são apreciadas em reunião plenária.3. É conferido a todos, pessoalmente ou através de associações de defesa dos interesses em causa, o direito de acção popular nos casos e termos previstos na lei, incluindo o direito de requerer para o lesado ou lesados a correspondente indemnização, nomeadamente para:a) Promover a prevenção, a cessação ou a perseguição judicial das infracções contra a saúde pública, os direitos dos consumidores, a qualidade de vida, a preservação do ambiente e do património cultural;b) Assegurar a defesa dos bens do Estado, das regiões autónomas e das autarquias locais

Artigo 60.º(Direitos dos consumidores)1. Os consumidores têm direito à qualidade dos bens e serviços consumidos, à formação e à informação, à protecção da saúde, da segurança e dos seus interesses económicos, bem como à reparação de danos.3. As associações de consumidores e as cooperativas de consumo têm direito, nos termos da lei, ao apoio do Estado e a ser ouvidas sobre as questões que digam respeito à defesa dos consumidores, sendo-lhes reconhecida legitimidade processual para defesa dos seus associados ou de interesses colectivos ou difusos.

CAPÍTULO IIDireitos e deveres sociais

Artigo 63.º(Segurança social e solidariedade)1. Todos têm direito à segurança social.2. Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais beneficiários.3. O sistema de segurança social protege os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho.4. Todo o tempo de trabalho contribui, nos termos da lei, para o cálculo das pensões de velhice e invalidez, independentemente do sector de actividade em que tiver sido prestado.5. O Estado apoia e fiscaliza, nos termos da lei, a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e de outras de reconhecido interesse público sem carácter lucrativo, com vista à prossecução de objectivos de solidariedade social consignados, nomeadamente, neste artigo, na alínea b) do n.º 2 do artigo 67.º, no artigo 69.º, na alínea e) do n.º 1 do artigo 70.º e nos artigos 71.º e 72.º.Artigo 64.º(Saúde)1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.2. O direito à protecção da saúde é realizado:a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;c) Orientar a sua acção para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos;d) Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade;e) Disciplinar e controlar a produção, a distribuição, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico;f) Estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.4. O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada.

Artigo 71.º(Cidadãos portadores de deficiência)1. Os cidadãos portadores de deficiência física ou mental gozam plenamente dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição, com ressalva do exercício ou do cumprimento daqueles para os quais se encontrem incapacitados.2. O Estado obriga-se a realizar uma política nacional de prevenção e de tratamento, reabilitação e integração dos cidadãos portadores de deficiência e de apoio às suas famílias, a desenvolver uma pedagogia que sensibilize a sociedade quanto aos deveres de respeito e solidariedade para com eles e a assumir o encargo da efectiva realização dos seus direitos, sem prejuízo dos direitos e deveres dos pais ou tutores.

Em virtude do funcionamento desta “casa” ser cada vez mais degradante e indigno para os seus utentes e contrário aos artigos supra citados da Constituição da Républica, agradece-se de V. Exª a atenção, pede-se celeridade, rapidez, para que a legalidde seja reposta e o sofrimento destas pessoas minimizado.

Os meus agradecimentos,

Petra